Talvez o próximo passo não seja aprender mais uma tecnologia
Durante muito tempo, quando eu pensava em evolução como desenvolvedor, a primeira coisa que vinha à cabeça era aprender uma nova tecnologia. Uma linguagem diferente, um framework novo, uma ferramenta que pudesse resolver determinado problema ou alguma tecnologia que estivesse aparecendo com força no mercado. Afinal, desenvolvimento é uma área em que sempre parece existir alguma coisa nova esperando para ser aprendida.
Só que, conforme fui avançando nos estudos e principalmente conforme comecei a colocar mais coisas em prática no meu próprio projeto, percebi que existe uma diferença entre saber desenvolver uma aplicação e saber construir uma boa experiência para quem vai utilizá-la.
Essa percepção acabou me levando para uma área que eu já tinha interesse, mas que ainda não tinha explorado da maneira que gostaria: UI Design.
Atualmente estou aproximadamente em 45% do curso PRO Figma UI Design, e o interessante é que o curso não está acontecendo de forma isolada. Enquanto estudo, algumas ideias já estão sendo aplicadas no Além da Solução, meu próprio projeto.
Isso muda bastante a maneira de aprender.
Quando você acompanha uma aula e simplesmente passa para a próxima, é possível entender determinado conceito, fazer o exercício e seguir adiante. Mas quando aquele mesmo conceito precisa encontrar um lugar dentro de um projeto que realmente está sendo construído, as perguntas começam a ser diferentes.
Por que esse elemento está aqui?
Essa informação realmente precisa aparecer dessa maneira?
A hierarquia visual está clara?
O usuário consegue entender o que fazer sem precisar pensar demais?
Existe alguma maneira de tornar essa tela mais simples?
É nesse momento que o conhecimento deixa de ser apenas conteúdo de curso e começa a se transformar em prática.
Fechar uma lacuna
Minha experiência como desenvolvedor sempre esteve muito ligada à parte técnica da aplicação. Backend, PHP, banco de dados, APIs, integrações, regras de negócio e toda a estrutura necessária para fazer um sistema funcionar.
E isso continua sendo uma parte importante do que quero desenvolver.
Mas uma aplicação não termina quando o código funciona.
Existe alguém do outro lado utilizando aquilo.
É justamente aí que o estudo de UI começa a fazer sentido para mim. Não como uma tentativa de substituir um profissional especializado em design, mas como uma forma de ampliar minha visão sobre aquilo que estou construindo.
Quero conseguir olhar para uma aplicação e não pensar somente em “isso funciona?”, mas também em “isso faz sentido para quem está usando?”.
O próprio Além da Solução acabou se tornando uma espécie de laboratório para isso. Em vez de estudar uma técnica e deixá-la guardada até algum projeto futuro, posso experimentar, errar, corrigir e observar como aquela mudança interfere no resultado final.
E esse processo também está mudando a forma como enxergo meus próximos estudos.
O que vem depois?
O curso de UI Design é apenas uma das etapas.
A ideia é continuar avançando em uma direção que complemente aquilo que já venho construindo como desenvolvedor. Entre os próximos estudos estão TypeScript, React e Next.js, ampliando meus conhecimentos no desenvolvimento frontend e criando uma conexão maior entre aquilo que acontece no backend e aquilo que chega até o usuário.
Também quero continuar avançando em Python para backend e IA aplicada, além de tecnologias e conceitos como Fastify, embeddings e agentes.
Mais adiante entram conhecimentos relacionados a Docker, AWS, CI/CD e outros aspectos de infraestrutura.
Quando colocados dessa maneira, pode parecer apenas uma lista grande de tecnologias.
E esse é justamente o ponto que estou tentando evitar.
Não quero transformar meus estudos em uma coleção de nomes para colocar no currículo.
Quero entender por que cada conhecimento está entrando no meu caminho e qual problema ele pode resolver.
TypeScript não está ali apenas porque é uma tecnologia bastante utilizada. React e Next.js não entram simplesmente porque fazem parte do ecossistema moderno de frontend. IA não aparece apenas porque está em evidência.
A ideia é construir conexões.
Do backend para uma visão mais completa
Existe uma diferença entre aprender várias tecnologias e conseguir enxergar como elas podem trabalhar juntas.
Um backend precisa conversar com o frontend. O frontend precisa oferecer uma experiência coerente para quem utiliza o sistema. Os dados precisam ser tratados corretamente. A infraestrutura precisa sustentar a aplicação. E, cada vez mais, existe a possibilidade de utilizar inteligência artificial para resolver problemas que antes exigiam outras abordagens.
É essa visão mais ampla que quero construir aos poucos.
Não significa que eu pretenda dominar tudo ao mesmo tempo. Pelo contrário. O processo continua sendo gradual, porque cada etapa precisa de tempo para ser realmente compreendida e aplicada.
Por enquanto, o foco está em uma coisa de cada vez.
Hoje, uma das peças desse processo é o PRO Figma UI Design, já com aproximadamente 45% concluídos e alguns conhecimentos sendo aplicados diretamente no Além da Solução.
Depois virão outras peças.
E, conforme elas forem sendo adicionadas, a intenção é olhar novamente para aquilo que já foi construído e perguntar o que pode ser melhorado.
Talvez essa seja uma das partes mais interessantes de estudar desenvolvimento: perceber que evolução não acontece necessariamente quando você adiciona mais uma tecnologia à sua lista.
Às vezes, ela acontece quando você percebe que uma tecnologia que já conhece poderia ser utilizada de uma maneira melhor.
E talvez esse seja o próximo passo
No começo dessa jornada, eu imaginava que evoluir como desenvolvedor significava principalmente aprender mais.
Hoje, começo a enxergar de outra maneira.
Aprender continua sendo fundamental, mas existe algo igualmente importante: conectar o que já foi aprendido.
Conectar backend com frontend.
Conectar código com experiência.
Conectar dados com inteligência artificial.
Conectar estudo com projetos reais.
É por isso que o Além da Solução também tem se tornado parte desse processo. Ele não é apenas um projeto que estou construindo; é o lugar onde parte desse aprendizado pode sair da teoria e encontrar problemas reais.
Ainda existe muito para estudar, testar e melhorar.
Mas talvez o próximo passo não seja aprender mais uma tecnologia.
Talvez seja aprender a conectar melhor todas elas.